quinta-feira, 17 de abril de 2014

Saiba mais sobre Maitland


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O Conceito Maitland de Terapia Manual foi desenvolvido na década de 60 pelo fisioterapeuta australiano Geoffrey D. Maitland , e na postagem de hoje vou fazer uma breve introdução e discutir algumas características interessantes deste conceito Mas antes de começar, quero chamar a atenção para um detalhe importante: Esta abordagem de fisioterapia é sempre referida como um "conceito", e não como uma "técnica".

Sabem por que? Porque a ênfase do tratamento é colocada não sobre a técnica de mobilização articular em si, mas principalmente sobre uma filosofia que engloba a avaliação e o tratamento e que defende o raciocínio clínico baseado principalmente nos achados clínicos (saber quando, como e quais técnicas usar e adaptar a situações para cada paciente).

De fato, as técnicas de mobilização articular empregadas no conceito Maitland são em sua maioria bastante simples, não há manuseios complexos ou ultra sofisticados que exijam meses de prática para a sua realização. Desta forma fica claro que o grande lance do conceito Maitland não reside nas técnicas, mas sim no processo de avaliação clínica meticulosa permite, inclusive, que quaisquer outras modalidades de mobilização ou manipulação possam ser agregadas, aplicadas e reavaliadas sem comprometer em absolutamente nada o processo de raciocínio clínico.

O advento do Conceito Maitland pode ser considerado um dos marcos mais importantes do desenvolvimento da Terapia Manual. Neste modelo de abordagem, a avaliação clínica baseia-se em uma anamnese minuciosa, em um exame físico detalhado e passível de registro (movimentos ativos, passivos e acessórios graduados em uma escala de 1 a 4), na avaliação dos sinais e sintomas, e reavaliação investigando os efeitos das técnicas sobre estes sinais e sintomas. Ao utilizar a filosofia do Conceito Maitland, os fisioterapeutas são encorajados a formular e testar várias hipóteses a fim de encontrar o melhor método de tratamento para o paciente.

O exame físico envolve a aplicação de movimentos vertebrais oscilatórios passivos e acessórios nas articulações para tratar a dor e a rigidez de natureza mecânica. As técnicas visam restaurar movimentos articulares e são classificados de acordo com a sua amplitude.

Aqui temos um referencial histórico importante para a terapia manual, pois Geoff Maitland desenvolveu uma metodologia capaz de classificar as mobilizações articulares. Isto permitiu uma maior confiabilidade e registro adequado da técnica de mobilização empregada nos pacientes.

Assim, as mobilizações podem ser classificadas em 4 graus:

Grau I: É um movimento de pequena amplitude, realizado abaixo da faixa de resistência e é adequado para o tratamento de condições altamente irritáveis.

Grau II: É uma mobilização de maior amplitude porém ainda abaixo da resistência do tecido (R1).

Uso de mobilizações Grau I e II são adequadas quando a mobilização gera dor antes da restrição do movimento articular.

Grau III e IV são utilizados quando a resistência ao movimento é detectada antes da dor.

Uma mobilização III é um movimento de grande amplitude executado dentro de resistência (R2) e geralmente utilizado para melhorar a amplitude de movimento.

Grau IV é um movimento de pequena amplitude executado dentro resistência (R2), utilizadas para dores crônicas de baixa irritabilidade.

Esta é uma descrição extremamente sucinta das graduações, uma vez que este assunto é bem complexo e discutido ao longo de vários capítulos dos livros do conceito Maitland. Em um próximo post eu vou falar um pouco mais profundamente sobre os graus e sobre esta noção de resistência dos tecidos (R1 e R2).

Para finalizar é preciso compreender que o conceito Maitland é dinâmico, e continua a evoluir e modificar-se por meio da integração dos conhecimentos científicos atuais.

É importante ressaltar que apesar das técnicas de tratamento serem basicamente técnicas de mobilização articular, o conceito Maitland não se concentra exclusivamente nos componentes do movimento articular, mas também engloba a avaliação e tratamento do sistema neural e as disfunções do sistema muscular. Assim, uma visão global do paciente permite que um tratamento específico possa ser programado.e sua efetividade avaliada.

 


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