terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Evolução da Terapia Manual


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A historia da terapia manual hoje também conhecida como terapia manipulativa perde-se nas curvas do tempo e é misturada com o início da medicina antiga. Provavelmente um dos primeiros usos das mãos na medicina foi para o tratamento das luxações e fraturas. Hieróglifos egípcios sugerem que usavam suas mãos para tratar lesões. Alguns manuscritos antigos escritos por Hipócrates, o pai da medicina moderna, descreve técnicas manuais para tratar deformidades da coluna vertebral. Escritos de outros históricos médicos, como Galeno descreve vários procedimentos com as mãos em seus tratamentos.

Greenman, em seu texto "Princípios da medicina manual", descreve que estatuas de mais de 4.000 anos na Tailândia poderia indicar o uso da medicina manual.

Vários dispositivos foram usados por médicos romanos durante os tempos medievais para auxiliar em tratamentos ortopédicos, dispositivos como quadros com roldanas e cordas para fazer tração na coluna.

Na Inglaterra do século XIX e ao longo da Europa, surgiu uma classe de manipuladores conhecidos como "bonesetters" ou ajustador de ossos. Esses profissionais cuidadosamente guardavam os "segredos" da manipulação transmitidos através das famílias há gerações.

Em 1860, Sir. James Paget médico da época observou que eles eram capazes de efetivamente tratar alguns problemas comuns que não tinham respondido aos cuidados de saúde tradicional. Advertiu seus colegas para que eles prestassem atenção no que estes "bonesetters" estavam fazendo. Poucos anos mais tarde, Dr.Hood Wharton escreveu um livro em que ele descreveu sua própria experiência como um aprendiz "bonesetter". Nos tempos coloniais, houve uma migração da Inglaterra para os Estados Unidos. O mais notável entre eles foi da família Sweet, que residiu em Rhode Island, Connecticut por quase 200 anos.

Andrew Taylor Still médico americano idealizador da osteopatia provavelmente aprendeu com esses "bonesetters" durante o tempo em que era militar.

Nos Estados Unidos o uso da manipulação foi dividido em dois grandes movimentos. Andrew Taylor Still desenvolveu a osteopatia, que ao longo do caminho associou a manipulação com a medicina tradicional no século XX e a quiropraxia desenvolvida por Daniel David Palmer (1845 – 1913). Acredita-se que Palmer tenha feito contato com Still logo no inicio. Ele foi visto em Kirksville, Missouri com um estudante na primeira turma de osteopatia. Still lhe convidou para jantar e após uma semana, ele voltou para Iowa, onde abriu o primeiro colégio de quiropraxia em 1896.

Embora a osteopatia e a quiropraxia sejam as principais fontes de manipulações nos Estados Unidos, seguiram diferentes caminhos na medicina manual. Muitos fisioterapeutas têm integrado a manipulação em seus regimes de tratamento. Alguns médicos especialmente ortopedistas começaram a usar técnicas de manipulação. Na Inglaterra James Mennell (1880-1957) e Ciryax (1904-1985), ambos os médicos trouxeram a consciência da manipulação como parte de sua pratica ortopédica.

James Ciryax foi um ortopedista britânico que definiu alguns pontos importantes de diagnostico e tratamento moderno no campo da ortopedia. Baseou seu trabalho em três fundamentos:

- Toda dor vem de uma lesão

- Todo tratamento deve chegar à lesão

- Todo tratamento deve produzir um efeito benéfico sobre a lesão  

Realizou seu trabalho no St. Toma`s Hospital e no St. Andrew`s de Londres.

Destacou principalmente por sua concepção no estudo da anatomia e da fisiologia, o que supôs uma autentica evolução neste campo, que até a década de 1930-1940 se tinha limitado grande parte a enfocar os tratamentos de uma maneira empírica e tradicionalista.

No âmbito da terapêutica manipulativa, seus escritos ainda perduram em nossos dias. Sua obra mais importante é "ortopedia clinica" e nela, entre outras coisas, defende o papel da fisioterapia e do fisioterapeuta no tratamento conservador das patologias músculo esqueléticas, sobretudo no campo das manipulações.

Em 1945 surgiu na Europa o conceito Sohier. Desenvolvido por Raymond Sohier que após anos de estudos, constatou que o bom rendimento de uma articulação não é sinônimo da boa saúde tissular da mesma.

O conceito Sohier é um método totalmente manual que utiliza a fisioterapia articular analítica para garantir a melhora e a estabilidade do aparelho locomotor. É uma outra maneira de olhar a fisiologia da máquina humana e o tratamento das patologias de origem mecânica.

Por volta de 1956 em Wellington na Nova Zelândia o fisioterapeuta Robin Mckenzie observou por acaso um fato marcante que mudou em todo o mundo a natureza do tratamento da dor na coluna vertebral. Esse evento revelador levou ao desenvolvimento das teorias e da prática que hoje se tornaram a marca registrada do Método Mckenzie para diagnóstico e tratamento dos problemas comuns de dor na coluna vertebral.

A observação casual surgiu de uma mudança repentina no estado de um paciente com dor lombar após permanecer um determinado tempo deitado de bruços numa posição de semi extensão da coluna e após levantar-se ele apresentou uma melhora surpreendente em seu quadro de dor que se estendia do lado direito da coluna lombar até a altura do joelho. Antes de deitar nesta posição ele tinha dificuldade de ficar em pé ereto, podia dobrar-se para frente, mas não podia dobrar-se para trás. Após permanecer por acaso nesta posição deitado com a coluna em extensão ele obteve uma melhora que não havia sentido nas ultimas semanas. Toda dor tinha desaparecido da sua perna, alem disso, a dor nas costas tinha se movido do lado direito para o centro e também já conseguia dobrar-se para trás sem ter dor forte. O ponto importante de tudo isso foi que Robin Mckenzie observou que após este paciente deitar nesta posição, sua dor mudou de lugar e se movimentou da perna e do lado direito das costas para o ponto central bem na linha da cintura. O movimento da dor da perna ou da nádega para o meio das costas é atualmente conhecido em todo o mundo como fenômeno da centralização e que quando este fenômeno acontece em decorrência de posturas mantidas ou movimentos específicos as chances de bons resultados no tratamento são realmente muito boas.

Hoje o Método Mckenzie conhecido mundialmente por MDT-Mechanical Diagnosis and Therapy, apresenta uma avaliação mecânica exclusiva através de um algoritmo bem definido que leva a uma classificação simples de distúrbios relacionados com a coluna vertebral e extremidades. Ela se baseia em uma relação consistente de causa e efeito verificada, tanto a partir da historia do comportamento da dor, quanto na resposta da dor a testes de movimentos repetidos e posições mantidas.

A resposta sintomática mais comum e significativa é a centralização.

A centralização indica que o gerador subjacente da dor é reversível.

"Pelo menos dez estudos publicados em revistas especializadas mostraram a alta prevalência com que a Centralização ocorre durante a avaliação Mckenzie, em 70%-80% dos pacientes com lombalgia aguda e 45-50% dos pacientes com lombalgia crônica. De igual ou maior importância, cinco desses estudos acompanharam os resultados do tratamento e todos relataram que os resultados dos "centralizadores" foram superiores aos daqueles em que nenhuma direção do teste expôs essa resposta da dor, ie, os "não-centralizadores". Além disso, foi demonstrada a alta confiabilidade na identificação da centralização durante a avaliação do paciente (kappa= 0.823). "

Donelson, R.
Letter to the Editor. IN: Spine 2001; 26:1827-29

Paralelamente na mesma época na década de 60 surgia na Austrália o conceito Maitland. Idealizado pelo fisioterapeuta Geoffrey Douglas Maitland (in memorian) este conceito baseia-se em dados clínicos colhidos através de uma anamnese minuciosa.

Maitland apresentou um trabalho em 1962, na Physioterapy societhy of Austrália, denominado "The Problems of Theaching Vertebral Manipulation", no qual ele mostrou uma clara diferença entre manipulação e mobilização tornando-se um grande defensor do uso de movimentos passivos gentis no tratamento da dor além das técnicas forçadas mais tradicionais usadas para aumentar a amplitude de movimento.

Grande parte da importância do conceito reside na avaliação dos movimentos fisiológicos (osteocinemáticos) e acessórios (artrocinemáticos) articulares. Este exame manual é parte essencial do diagnóstico físico de disfunções da coluna realizado pelo fisioterapeuta manipulativo. (Jull et al, 1994), lesões e patologias podem ser restabelecidos através de técnicas de mobilização e manipulação. Pesquisas têm demonstrado que tal tratamento é mais eficaz do que o tratamento tradicional (ottenbach e Difabio, 1994) e que a terapia manipulativa da coluna vertebral é mais eficaz no tratamento da dor lombar do que o tratamento conservador tradicional (Van Tuder et al, 1994).

Brian Mulligan fisioterapeuta da Nova Zelândia formado em 1954 e aluno dedicado do Norueguês Fred Kaltenborn, engajado no interesse em terapia manual estabeleceu contatos com os principais expoentes da terapia manipulativa tais como Mckenzie, Maitland, Cyriax, Elvey entre outros.

Desde 1972 vem ensinando seus conceitos em diversos países. O conceito Mulligan como é conhecido mundialmente é a combinação da mobilização articular com o movimento ativo. É conhecido pela sua praticidade e eficácia nos casos de algias e disfunções articulares. O conceito combina movimento ativo com técnicas de manipulação terapêutica.

"O movimento lesa, o movimento recupera"
João Bracci neto


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